Você sabe COM QUEM treina?

Um assunto que parece não ter fim e que constantemente retorna é a ação de supostos “mestres” em artes ditas oriundas dos samurai no Brasil. O que há de verdade e mentira nesse ramo no nosso país?

cosplays de samuraiTenho certeza de que se você está lendo este texto neste blog, é por que se interessa sinceramente por artes marciais, em especial as artes da espada japonesa. Recomendo a leitura dos artigos #Kenjutsu no Brasil e #Ervas Daninhas para maiores informações. E já aviso que se trata de opinião pessoal: acredite apenas se quiser.

Primeiro, vamos ao fato de você ser uma pessoa esforçada que é fanática por cultura japonesa e admira o modo de ser do samurai e seu código de conduta. Que se dedica inteiramente ao treinamento, obedece a seu instrutor e não mede sacrifícios para se aprimorar.

Mas talvez exista algo de errado justamente aí. Apreciação exagerada a modelos idealizados é um caminho perigoso e cheio de armadilhas, ainda mais para quem não tem informação. Fé cega funciona exatamente como o tapa-olho do burro: permite-lhe ver somente o que interessa ao condutor, e te impede de perceber o restante para tirar suas próprias conclusões.

O outro problema é quando você mesmo não quer enxergar, se apegando infantilmente à mentira que deseja desesperadamente ser verdade. De que é uma pessoa “sortuda e escolhida” para treinar modalidades exclusivas, que te tornam especial em algum sentido. É um discurso duro? Mas não é essa a mentalidade do samurai? Ser rígido, correto e principalmente autocrítico?

Eu insisto que a única forma de combater esses picaretas é informação. É possível fazer pesquisas simples em fóruns e redes sociais sobre determinada academia ou instrutor. Conhecer previamente sua reputação e autenticidade do que ensina. Mas atento que deve se buscar informação EM LOCAIS IMPARCIAIS, e ainda tenha o cuidado de não acreditar em tudo que lê, pró ou contra.

duncan mcleoud

Girando espadinhas.

Mesmo com um grande leque de fontes informativas, é incrível a quantidade de pessoas que acabam aliciadas por charlatães, seduzidas pela bendita imagem do “samurai” e seu discurso pseudo-filosófico. Quando mais se fala em samurai, acredite, maior a chance de ser picareta.

Éca.

Éca.

Não tenha medo de pesquisar e perguntar tudo sobre a escola e o passado do instrutor. Apenas o faça de maneira educada e cuidadosa. Se você é tão dedicado quanto acredita, creio que tem mais do que OBRIGAÇÃO de saber COM QUEM treina. Desejo toda sorte do mundo em sua busca. Boa jornada em direção à luz!

A verdade não demora a aparecer. O que demora é aceitá-la.

_____________

O que achou da matéria? Sua opinião é importante para o crescimento deste trabalho. Caso tenha dúvidas ou queira conversar sobre o assunto, envie um e-mail para blog.espiritomarcial@gmail.com ou deixe seu comentário!

Postado em 27 de Julho de 2015.

10 comentários sobre “Você sabe COM QUEM treina?

  1. Corretíssimo! o que mais tem na internet hoje são pessoas manejando espadas e se dizendo samurais rsrsrsrsrs. Faz graça a gente olhar isso. Até a maneira de empunhar para que já entende um pouco nota logo que está errada e fora a origem ser duvidosa e a grande maioria ser de picaretas se passando por representante de escolas.

    • Olá Edson,

      Concordo com tudo, é realmente um incômodo perigoso a proliferação de pessoas que alegam ser “mestres” em estilos japoneses de espada. Só penso que devemos usar os canais disponíveis para informar e tentar esclarecer quem tem interesse em aprender Kendo e Iaido de verdade no Brasil…

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

  2. …Pratiquei Kendo ha muitos anos, hoje estou ligado ao Aikido, mas passei por outros estilos e nesse caminho conheci também outras escolas onde amigos meus treinavam, e concordo com tudo que foi colocado, serve para qualquer escola de artes marciais, o embuste somente perdura enquanto a pessoa quiser ou demorar em aceitar os fatos, espirito critico e pesquisa são fundamentais….

    • Olá China Blue,

      Sim, acho fundamental estimular as pessoas a serem mais questionadoras, mas no bom sentido. Não acreditar em marketing e em tudo o que falam sem verificar antecedentes e reputação. Só assim é justo investir tanta paixão e dedicação em algo.

      Obrigado pela visita!

  3. Tive uma experiência traumática em decorrência de não ter pesquisado antes onde estava me metendo. A tal organização era muito ruim. O “mestre samurai” era ríspido e não tinha a menor vontade e paciência de ensinar aos demais alunos. Após sete meses de grosserias me desliguei do tal “*********”. Se tivesse pesquisado antes jamais passaria perto daquele lugar!

    • Olá Anônimo,

      Antes tarde do que nunca, não é? :) … mas sinto muito se ficou com alguma má impressão. Saiba que nos locais recomendados esse tipo de coisa dificilmente aconteceria. Espero também que ainda tenha vontade de conhecer a verdadeira arte da espada, vale muito a pena.! Obrigado pelo seu depoimento e visita!

  4. Prezado Administrador,

    Comecei a praticar kendo poucos meses atrás e, na condição de mero iniciante, gostaria de tecer alguns comentários sobre o que li no texto – embora reconheça desde logo que minhas opiniões ainda não são minimamente embasadas ou críveis pela absoluta falta de experiência.

    O estudo sério de arte marcial leva a uma alteração no “way of life”. Nos treinos me exigem, entre outras coisas, o seguinte: i) ser atencioso e educado. Respeitar todos e todas; ii) me esforçar até o limite (“não dar migué”); iii) seguir as orientações ainda que me pareçam incompreensíveis, contraditórias ou carentes de sentido.

    Internalizar toda essa disciplina marcial e aplicá-la no dia-a-dia é o grande benefício de treinar lutas em tempos de paz. É difícil, claro, mas é também indisputável que os benefícios de toda essa prática são extremamente saudáveis para uma vida feliz, longeva e agradável.

    Carl von Clausewitz já dizia: aquele(a) dotado(a) de gênio guerreiro nada mais é do que alguém extremamente resoluto(a), reativo(a), calmo(a), perspicaz e, principalmente, inteligente – friso essa última característica.

    A propaganda da venda da “filosofia samurai”, do “espírito guerreiro”, do “caminho da estratégia”, etc., é extremamente apelativa (…quase caí nesse conto, aliás…), mas é nonsense. A sociedade não é mais estratificada entre classes dos nobres, dos guerreiros, do clero e dos plebeus; ninguém realmente luta pela vida com espadas por aí, e, quem perde um embate hipotético não será obrigado a seguir um código de honra que obrigue o suicídio. Quem não vê a absoluta impossibilidade de se ~viver~ como um samurai em terras tupiniquins em pleno século XXI está se enganando.

    Não há “bom guerreiro” sem discernimento do bom e do mau caminho à luz da realidade nua e crua.

    Por outro lado, é plenamente possível tentar absorver alguns elementos pontuais do modo de vida e da seriedade do treinamento samurai e, no contexto de uma arte marcial moderna, séria e organizada, simular “situações de vida ou morte” (ou melhor: tomar shinaizada no men ou não tomar).

    Algo me impressionou muito no kendo. Luta-se com espada e com um colega de treino, mas a prática não se esgota aí. O treino real é algo interno: aguentar até o final, manter o ritmo e a postura quando o corpo para de funcionar. Em suma, tentam nos levar para um estado em que eventuais vantagens físicas param de importar tanto, e o praticante bem sucedido é aquele que consegue suportar com calma e determinação todas as adversidades apresentadas – ainda que tome tanta porrada e esteja tão exausto que o caminho para casa ao final do treino seja difícil de ser completado.

    Se isso – o kendo como comecei a conhecer – é insuficiente para ser qualificado como sucessor moderno, adequado e legítimo do antigo método japonês de lutar com a espada, ~sinceramente~ não sei o que pode ser.

    Li nesse blog que é sempre preferível escolher o certo e tradicional, e evitar orientalidades zen sem sentido. Foi o melhor conselho que poderia ter lido, e sou extremamente feliz por ter localizado esse conjunto de breves artigos e não incidir em um erro possivelmente bastante custoso.

    Grato pelo espaço e deixo registrados meus elogios pela qualidade (sempre ótima!) do texto : )

    • Olá Daniel,

      Fiquei emocionado com seu texto, agradeço sinceramente suas palavras e vejo que tem um entendimento ímpar da vivência através da espada: algo que não é esotérico ou místico, desprovido de fantasia e exageros. Invejo seu ponto de vista maduro e sensato! Eu realmente sinto grande satisfação em poder ajudar colegas em busca de informações, na medida do meu pouco conhecimento, e espero que sua “carreira” no Kendo seja absolutamente longa! Caso se interesse, também recomendo o estudo do IAIDO, existem muitos pontos complementares e enriquecedores. Muito obrigado pelos elogios, garanto que ao sou merecedor de tanto :)

  5. Primeiro de tudo….excelente post!
    Vi em alguns posts deste blog que o Adm é um usuário do forum KendoBrasil e consegui identificar quem era, gostaria de agradecer pois em ler algumas conversas em que você fazia parte, por volta de 2011/2012 eu abri os olhos para muita “coisa”….
    Após começar a “enxergar de verdade” recomecei em um dojo de Kendo e fiquei extasiado pela, forma, disciplina, técnica e acima de tudo, a simplicidade com que o kendo era ensinado, a verdadeira relação sensei e aluno, onde caminha o companheirismo, o respeito e a procura pela evolução suportada pela pessoa que lapida a sua força de vontade.
    O tempo de treino que tive em outro lugar não serviu para nada, apenas dificultou o aprendizado por “vícios errados”….poder recomeçar do zero foi um agradecimento.

    Mesmo “jovem” (beirando os 30 rsrs) hoje estou parado por problemas no meu joelho, (ficar em chakuza começou a se tornar extramente dolorido), ainda penso em voltar, talvez para o Iai mas não sei se o joelho vai permitir…(inclusive através do seu blog encontrei um lugar para treinar Iai próximo de onde eu moro hoje).

    Obrigado pelos posts do blog pois são enriquecedores e por mesmo sem saber, me ajudar a ter a visão mais ampla sobre o assunto.

    • Olá D2R2,

      Fico muito contente em ler seu relato! Obrigado por compartilhar conosco! Não se preocupe com idade não, claro que temos nossas limitações, eu também treino Iai (e não sou lá muito jovem hehe) e muitas vezes o joelho sai doendo. É possível praticar com alguns cuidados.

      Agradeço os elogios, garanto que não sou merecedor de tanto. Só escrevo opiniões tendenciosas, sempre desconfie do que ler na internet. Kendo e Iaido são artes magníficas com grandes diferenciais na maneira como são estruturadas e passadas a cada geração. A nós estudantes, resta treinar seriamente e dar continuidade a este trabalho de forma honesta e sincera, não é?

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