Kumdo – O Caminho da Espada

…..A palavra Kumdo (검도) em coreano é conceitualmente a mesma do termo Kendo (剣道), em japonês. Ambas possuem a raiz na escrita chinesa Jientao (劍道), especificando a idéia de Caminho da Espada. O leitor atento deve perceber algum parentesco fonético entre as três variantes (剣 – 劍 – 검 ), que evidenciam sua etmologia.

…..Em termos de competidores de elite do Kendo mundial, os japoneses encontram seus maiores rivais nos coreanos. Conforme comentado na matéria sobre o documentário A Single Blow, existe forte rivalidade que fica no limiar de mágoas e feridas abertas por séculos de intrigas e 35 anos de cruel dominação militar (de 1910 até 1945).

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Panorama histórico

…..Historicamente, o Japão tentou dominar a península coreana algumas vezes, possuindo até mesmo regiões colonizadas durante o período feudal. Sendo o Japão uma pequena ilha, possuir terras no continente trazia enormes benefícios econômicos e estratégicos para o país.

…..Um dos pontos mais polêmicos que envolve esses países é a autoria da criação do Kendo. Obviamente não se trata do formato como conhecemos hoje, mas os coreanos reivindicam não somente a criação de uma esgrima baseada em espadas empunhadas com as duas mãos (uma versão aparentada da katana), mas da própria classe dos samurais!

Península coreana.

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…..Esse fato se deve a, em certo momento da história japonesa, anterior ao Sengoku Jidai (Guerra Civil japonesa, que durou aproximadamente 300 anos), grandes massas de imigrantes chineses e coreanos se instalarem no Japão, trazendo consigo gigantesca bagagem cultural, contribuindo para o desenvolvimento em inúmeras áreas estratégicas do país, como arquitetura, artes, metalurgia, culinária, costumes e sem dúvida, nas artes marciais.

…..A Coreia nessa época era dividida em três reinos majoritários, chamados de Paekjche, Silla e Koguryo.  E nesses reinos já haviam notáveis guerreiros treinados em diversas artes marciais. Segundo algumas fontes que são constantemente questionadas, havia um grupo chamado de hwarang, que foram de alguma forma, influenciadores diretos dos samurai.

…..Embora a história asiática seja pouco acessível aos ocidentais, sabe-se que os samurai se formaram a partir de uma estirpe especial de servidores dos nobres, que recebiam destes terras (havia uma complexa política de reforma agrária) e foram ganhando força política e militar até se tornarem uma classe social conforme  conhecemos hoje.  Segundo os coreanos, é nesse momento histórico de imigração que sua cultura influenciou a criação, nos moldes de guerreiros virtuosos e de treinamento árduo, tal qual havia em seu país de origem.

Guerreiros Hwarang – ancestrais dos samurais?

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…..Apesar dessa versão histórica ser rejeitada pela comunidade internacional, sem falar nos próprios japoneses, os coreanos vão mais além em proclamar o Kumdo como produto de sua autoria, sob o argumento de, durante a dominação japonesa no início do século XX, praticamente toda sua cultura foi suprimida pelos invasores, que inseriram na Coreia atividades especificamente japonesas, a fim de tornar a colônia parte integrante da metrópole. Dessa forma, registros históricos antigos que documentavam a criação de artes marciais foram destruídos, suas práticas proibidas, e acreditem, até mesmo os nomes da população foram trocados por nomes japoneses.

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Kendo e Kumdo hoje

…..Em termos de técnicas, regulamentações e treinamento é complicado afirmar que se trata de artes distintas. Todos os equipamentos, normas de competição e graduação estão presentes na duas variantes. Apesar do cenário de rivalidade histórica, em países como os Estados Unidos, com grande população de coreanos e descendentes, ambas caminham pacificamente e sem maiores atritos, salvo discussões fúteis em fóruns de internet sobre qual vertente é a autêntica.

…..Mas é possível ressaltar algumas diferenças, facilmente observáveis. Primeiramente, os coreanos aboliram a execução do sonkyo, cumprimento tradicional japonês, alegando incompatibilidade cultural, onde é perceptível um pouco do orgulho nacionalista. Eles o realizam somente quando participam de campeonatos de Kendo, como o Mundial. As bandeiras dos juízes nos eventos esportivos não são branca e vermelha, mas branca e azul, alteração essa que também evoca razões culturais (vermelho e branco são cores tradicionais para se fazer pares de algo no Japão). Durante o treinamento, todas as nomenclaturas são ditas em coreano. Isso se dá pelo fato do idioma chinês ser influenciador de milhares de palavras, tanto em japonês quanto no coreano, daí eles não sentirem a necessidade de seguir o molde japonês, além é claro, da própria conveniência. Por fim, a seleção nacional coreana veste uniforme branco (de certa forma, em “oposição” aos rivais, em vestes escuras), com um hakama diferenciado, que possui velcros para ser amarrado. Em sua lateral, uma faixa de cor preta que percorre as bordas da junção do hakama na cintura até o chão, típica dos uniformes de graduados das artes marciais coreanas, como o Taekwondo.

…..Existe uma espécie de “cisma” com os coreanos em campeonatos mundiais, que alimenta seu ressentimento e fomenta mais ainda sua rivalidade. As más línguas dizem que o Japão é sempre favorecido pelos árbitros, como na polêmica final masculino individual, do Mundial de 2009, realizado no Brasil. Seria impertinente de minha parte emitir qualquer comentário sobre arbitragem desse nível mas é impossível calar as opiniões nos fóruns de internet.

…..Outro ponto que desagrada muito os japoneses é a preferência pelos coreanos de tornar o Kendo um esporte olímpico. Existem muitos críticos a iniciativa, que argumentam a perda de valores essenciais da arte, que passará a ser uma mera disputa de pontos e títulos, diminuindo sua significância. Por outro lado, o Kendo seria mais conhecido e certamente aumentaria o número de pessoas interessadas em treinar. Os coreanos são favoráveis a iniciativa sabendo justamente que os japoneses são contra. Vem deste fato seu interesse em criar um diferencial de arte marcial em relação ao Kendo, atraindo o interesse da mídia e patrocinadores. Se Kendo se tornar um esporte olímpico, sem a presença dos japoneses, os coreanos serão os maiores privilegiados.

……Embora o Kumdo possua federações próprias, é ligado oficialmente a International Kendo Federation, entidade regulamentadora do Kendo mundial, sediada no Japão.

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Haedong Gumdo

……É muito importante não confundir o termo Kumdo com Haedong Gumdo, pois esta é uma arte de certa forma “nova” e considerada bastante polêmica. Sua criação evoca personagens míticos e surgiu daí o curioso termo samurang. Em termos de arte marcial, o que se observa é quase como uma dança que evolve princípios de golpes de grande plasticidade, rápidos e giratórios, inexistentes no Kendo, similares ao Kung-fu treinado com a espada Jien. Muitos praticantes de artes marciais não consideram o Haedong Gumdo como arte séria, dado enorme apelo coreográfico apresentado em vídeos de propaganda vistos na internet, quase sempre comparados com os duelos de sabre de luz da cinessérie Star Wars.

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Conclusão

……No Brasil não temos academias de Kumdo conhecidas em atividade, salvo uma equipe de coreanos e descendentes que participou como uma unidade no XVIII Campeonato Brasileiro de Kendo, em julho de 2010, iniciativa esta bastante interessante. Portanto, essa polêmica está além de nossa realidade.

…..A diferença entre Kendo e Kumdo vai além da esfera semântica, pois há quem acredite que são dois modelos para se ensinar uma mesma coisa. E apesar do enorme ressentimento pelo passado e alguns atritos políticos, os praticantes não deixam de trilhar um caminho de força, sacrifício e dignidade, que seguem essencialmente os mesmos princípios.

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Se perguntar para um japonês o que ele treina, ele responderá:

剣道 –  O Caminho da Espada.

Se perguntar para um chinês, ele responderá:

劍道 – O Caminho da Espada.

Se perguntar para um coreano, ele responderá:

검도 – O Caminho da Espada.

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N.P.P. – Notas pós publicação

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…..Em diversas fontes pesquisadas na internet fica a impressão de que os coreanos estão sendo maliciosos ao proclamar suas opiniões sobre a arte da espada, numa tentativa triste de reinvidicar a autoria de algo historicamente comprovado. Muitos argumentam que tal comportamento é fruto de ressentimento de épocas passadas, cultivadas pelo espírito anti-nipônico e nacionalista coreano.

…..Embora não concorde com sua versão, posso dizer que compreendo, de certa forma, a busca por identidade nacional em muitos aspectos que foram suprimidos pela colonização japonesa. E rotular a atitude deles como “má intencionada” é maniqueísta a ponto de ignorar toda sua história e herança cultural, quase destruída. Por outro lado, o apego a um legado duvidoso e a intriga política causada pelas feridas ainda abertas cria uma rivalidade nociva que caminha para uma espécie de divisão entre a visão coreana da prática, e a japonesa.

…..Gostaria de ressaltar que nutro grande admiração pela força dos kenshi coreanos, em especial aqueles que presenciei dar tudo de si no Mundial de 2009. Claro que não difere dos sentimentos de todos os competidores do evento, pois representar sua nação requer grande responsabilidade. Mas sempre busco conteúdos de excelência para basear meus treinamentos e os vídeos dos campeonatos de elite coreanos estão entre meus preferidos.

…..Apesar de tentar manter este texto neutro e informativo, não saberia dizer se houve algum ponto tendencioso em mostrar um lado ou outro como “vilão”. E isto não foi minha intenção, absolutamente.

…..Para saber mais sobre o Kumdo, acesse o artigo de Alex Bennett, pesquisador, 7º dan em Kendo e editor da revista internacional Kendo World:

http://www.kendo-world.com/articles/web/korea/index.php

…..Conheça também o belo relato de uma pessoa que treinou em diversas academias em Seul (em inglês):

http://kenshi247.net/blog/2009/01/27/kendo-in-korea/

…..Polêmicas a parte, segue um vídeo que “denuncia” a versão histórica dos coreanos:

…..Formule suas próprias conclusões.

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…..Sobre Haedong Gumdo: quando questionado por um colega sobre este estilo peculiar, só pude falar daquilo que vi em vídeos pela internet, do que foi falado em alguns fóruns e sites oficiais que visitei. A prática vem se difundindo no Brasil com certa abrangência e muitos vídeos podem ser vistos em sites como youtube:

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…..O que achou da matéria? Sua opinião é importante para o crescimento deste trabalho. Caso tenha dúvidas ou queira conversar sobre o assunto, envie um e-mail para blog.espiritomarcial@gmail.com ou deixe seu comentário!

A palavra Kumdo (검도) em coreano é conceitualmente a mesma do termo Kendo (剣道 ), em japonês. Ambas possuem a raiz na escrita chinesa Jientao (劍道), especificando a idéia de Caminho da Espada. O leitor atento deve perceber algum parentesco fonético entre as três variantes (剣 – 劍 – ), que evidenciam sua etmologia.

Em termos de competidores de elite do Kendo mundial, os japoneses encontram seus maiores rivais nos coreanos. Conforme comentado na matéria sobre o documentário A Single Blow, existe forte rivalidade que fica no limiar de mágoas e feridas abertas por séculos de intrigas e 35 anos de cruel dominação militar (de 1910 até 1945).

Panorama histórico.

Historicamente, o Japão tentou dominar a península coreana algumas vezes, possuindo até mesmo regiões colonizadas durante o período feudal. Sendo o Japão uma pequena ilha, possuir terras no continente trazia enormes benefícios econômicos e estratégicos para o país.

Um dos pontos mais polêmicos que envolve esses países é a autoria da criação do Kendo. Obviamente não se trata do formato como conhecemos hoje, mas os coreanos reivindicam não somente a criação de uma esgrima baseada em espadas empunhadas com as duas mãos (uma versão aparentada da katana), mas da própria classe dos samurais!

Esse fato se deve a, em certo momento da história japonesa, anterior ao Sengoku Jidai (Guerra Civil japonesa, que durou aproximadamente 300 anos), grandes massas de imigrantes chineses e coreanos se instalarem no Japão, trazendo consigo gigantesca bagagem cultural, contribuindo para o desenvolvimento em inúmeras áreas estratégicas do país, como arquitetura, artes, metalurgia, culinária, costumes e sem dúvida, nas artes marciais.

A Coreia nessa época era dividida em três reinos majoritários, chamados de Paekjche, Silla e Koguryo.  E nesses reinos já haviam notáveis guerreiros treinados em diversas artes marciais. Segundo algumas fontes que são constantemente questionadas, havia um grupo chamado de samurang, que foram de alguma forma, influenciadores diretos dos samurai.

Embora a história asiática seja pouco acessível aos ocidentais, sabe-se que os samurai se formaram a partir de uma estirpe especial de servidores dos nobres, que recebiam destes terras (havia uma complexa política de reforma agrária) e foram ganhando força política e militar até se tornarem uma classe social conforme  conhecemos hoje.  Segundo os coreanos, é nesse momento histórico de imigração que sua cultura influenciou a criação, nos moldes de guerreiros virtuosos e de treinamento árduo, tal qual havia em seu país de origem.

Embora essa versão histórica seja rejeitada pela comunidade internacional, sem falar nos próprios japoneses, os coreanos vão mais além em proclamar o Kumdo como produto de sua autoria, sob o argumento de, durante a dominação japonesa no início do século XX, praticamente toda sua cultura foi suprimida pelos invasores, que inseriram na Coreia atividades especificamente japonesas, a fim de tornar a colônia parte integrante da metrópole. Dessa forma, registros históricos antigos que documentavam a criação de artes marciais foram destruídos, suas práticas proibidas, e acreditem, até mesmo os nomes da população foram trocados por nomes japoneses.

Kendo e Kumdo hoje.

Em termos de técnicas, regulamentações e treinamento é complicado afirmar que se trata de artes distintas. Todos os equipamentos, normas de competição e graduação estão presentes na duas variantes. Apesar do cenário de rivalidade histórica, em países como os Estados Unidos, país com grande população de coreanos e descendentes, ambas caminham pacificamente e sem maiores atritos, salvo discussões fúteis em fóruns de internet sobre qual vertente é a autêntica.

Mas é possível ressaltar algumas diferenças, facilmente observáveis. Primeiramente, os coreanos aboliram a execução do sonkyo, cumprimento tradicional japonês, alegando incompatibilidade cultural, onde é perceptível um pouco do orgulho nacionalista. Eles o realizam somente quando participam de campeonatos de Kendo, como o Mundial. As bandeiras dos juízes nos eventos esportivos não são branca e vermelha, mas branca e azul, alteração essa que também evoca razões culturais (vermelho e branco são cores tradicionais para se fazer pares de algo no Japão). Durante o treinamento, todas as nomenclaturas são ditas em coreano. Isso se dá pelo fato do idioma chinês ser influenciador de milhares de palavras, tanto em japonês quanto no coreano, daí eles não sentirem a necessidade de seguir o molde japonês, além é claro, da própria conveniência. Por fim, a seleção nacional coreana veste uniforme branco (de certa forma, em “oposição” aos rivais, em veste escuras), com um hakama diferenciado, que não se utiliza das tiras tradicionais para ser amarrado: isso é feito através de velcros. Em sua lateral, uma faixa de cor preta que percorre as bordas da junção do hakama na cintura até o chão, típica dos uniformes de graduados das artes marciais coreanas, como o Taekwondo.

Existe uma espécie de “cisma” com os coreanos em campeonatos mundiais, que alimenta seu ressentimento e fomenta mais ainda sua rivalidade. As más línguas dizem que o Japão é sempre favorecido pelos árbitros, como na polêmica final do Mundial de 2009, realizado no Brasil. Seria impertinente de minha parte emitir qualquer comentário sobre arbitragem desse nível mas é impossível calar as opiniões emitidas nos fóruns de internet.

Outro ponto que desagrada muito os japoneses é a preferência pelos coreanos de tornar o Kendo um esporte olímpico. Existem muitos críticos a iniciativa, que argumentam a perda de valores essenciais da arte, que passará a ser uma mera disputa de pontos e títulos, diminuindo sua significância. Por outro lado, o Kendo seria mais conhecido e certamente aumentaria o número de pessoas interessadas em treinar. Os coreanos são favoráveis a iniciativa sabendo justamente que os japoneses são contra. Vem deste fato seu interesse em criar um diferencial de arte marcial em relação ao Kendo, atraindo o interesse da mídia e patrocinadores. Se Kendo se tornar um esporte olímpico, sem a presença dos japoneses, os coreanos serão os maiores privilegiados.

Embora o Kumdo possua federações próprias, é ligado oficialmente a International Kendo Federation, entidade regulamentadora do Kendo mundial, sediada no Japão.

Haedong Gumdo.

É muito importante não confundir o termo Kumdo com Haedong Gumdo, pois esta é uma arte de certa forma “nova” e considerada bastante polêmica em termos de autenticidade. Sua criação evoca personagens míticos e surgiu daí o termo samurang. Em termos de arte marcial, o que se observa é quase como uma dança que evolve princípios de golpes rápidos e giratórios, inexistentes no Kendo, similares ao Kung-fu treinado com a espada Jien. Muitos praticantes de artes marciais não consideram o Haedong Gumdo como arte séria, dado enorme apelo coreográfico apresentado em vídeos de propaganda vistos na internet, quase sempre comparados com os duelos de sabre de luz da cinessérie Star Wars.

Conclusão.

No Brasil não temos academias de Kumdo conhecidas em atividade, salvo uma equipe de coreanos e descendentes que participou como uma unidade no XVIII Campeonato Brasileiro de Kendo, em julho de 2010, iniciativa esta elogiável. Portanto, essa polêmica está além de nossa realidade e preocupações.

A diferença entre Kendo e Kumdo vai além da esfera semântica, pois há quem acredite que são dois modelos para se ensinar uma mesma coisa. E apesar do enorme ressentimento pelo passado e alguns atritos políticos, os praticantes não deixam de trilhar um caminho de força, sacrifício e dignidade, que seguem essencialmente os mesmos princípios.

Se você perguntar para um japonês o que ele treina, ele responderá:  剣道 –  O Caminho da espada.

Se perguntar para um chinês, ele responderá: 劍道 – O Caminho da Espada.

Se perguntar para um coreano, ele responderá: 검도- O Caminho da Espada.

18 comentários sobre “Kumdo – O Caminho da Espada

  1. Ol
    Primeiramente, parabens pelo site
    ótimo blog =D

    Queria fazer ou pelo menos tentar uma pequena correção
    Existe sim Kumdo no Brasil pode ser visto por essa comunidade no Orkut
    http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=19251992

    Se é sério ou não, não sei! Mas que pelo menos parece ter parece! ahahah

    Um abraçoo

  2. Olá Helton,

    Obrigado pela visita e pelo comentário! Sim, pelo que saiba, existem federações de Haedong Gumdo no Brasil, é só procurar pelo Google que muitos links aparecem. O que não existe, pelo menos formalmente e ligadas à CBK são academias de Kumdo, que seguem a vertente coreana de ensino (sem sonkyo, bandeira azul, etc).

    De novo fica a questão: muitos praticantes tem grandes desconfianças quanto a legitimidade histórica e técnica desta “nova” arte marcial que está ganhando força. Mas até aí, cada um tem sua opinião, não é?

    Abraço!

  3. ola eu queria dar os parabens pois seu site é de otima qualidade sempre com otimas materias, eu pratico kumdo a um curtu tempo e tenho percebido que sofremos muito pelo fato de nao ser tao connhecida como o kendo, a momentos que vamos apresentar nosso trabalho as pessoas pergunta se é kendo, ai é uma longa apresentação mas estamos caminha em buscar de um trabalho forte e longo, vamos divulgar nosso trabalho com muita energia =D

    • Olá Rodrigo,.

      Eu agradeço sua visita e o elogio. Imagino que seja o Haedong Gumdo que você pratica, não? Recomendo que pergunte sobre esta modalidade em qualquer fórum de Artes Marciais sério para tirar dúvidas e apresentar sua arte. Até!

  4. Ótima matéria, eu pratico kenjutso, e me sinto bem a vontade em dar a minha opinião, pois como ocidental naturalmente me sinto isento dos traumas e ressentimentos existentes entre os asiáticos, devido ao legado histórico existentes entre eles. Penso que o litígio pela propriedade cultural do Kendo, Kumbo ou até mesmo kung fu, visto que grande parte da cultura japonesa tem forte influência chinesa, é irrelevante, o importante é a continuidade da tradição existente, do jeito que ela chegou até aqui, pois se ela chegou até nós desta forma, chegou com que dela tinha mais forte e sobreviveu, e nestes termos não importa se foi por causa dos japoneses, coreanos, chineses ou até mesmos nós ocidentais que admiramos e procuramos preservar algo que nunca fez parte de nossa cultura histórica, (talvez com mais respeito e dedicação do que muitos asiáticos que se
    perdem nesta questão infrutífera).

    • Olá Luiz,

      Obrigado pela participação! Concordo com suas palavras, existe um grande esforço para carregar a arte marcial para novas gerações de maneira intocada e respeitando a tradição. Mas existem certamente “detentores” das propriedades culturais e históricas e essa discussão provavelmente não vai ter fim…

      Só um adendo, eu gostaria de alertá-lo sobre “kenjutsu” no Brasil… infelizmente esse assunto é polêmico e recomendo pesquisar mais sobre isso na internet. Ao meu ver isso não existe aqui de forma correta e verdadeira então desejo boa sorte na sua busca e reflexão, ok?

      Novamente, agradeço sua visita! :)

    • “o importante é a continuidade da tradição existente, do jeito que ela chegou até aqui, pois se ela chegou até nós desta forma, chegou com que dela tinha mais forte e sobreviveu, e nestes termos não importa se foi por causa dos japoneses, coreanos, chineses ou até mesmos nós ocidentais que admiramos e procuramos preservar algo que nunca fez parte de nossa cultura histórica, (talvez com mais respeito e dedicação do que muitos asiáticos que se
      perdem nesta questão infrutífera).”

      Esse ponto é bem questionável…

  5. Um detalhe que esqueci de mencionar: o Haedong Kumdo foi usado na segunda trilogia de Star Wars inclusive nos games, que assim como o Kendo e o HEMA usado no episódio VII, não é citado ou assumido pela produção.

    • Olá, meu nome é Wellington Jr. sou vice-presidente da Confederação Brasileira de Haedong Kumdo (antiga Federação Brasileira do mesmo vídeo de onde mostrou a apresentação de luta), faixa preta segundo dan pela United World Haedong Kumdo Federation, estilo Jinyong Ssangkum Ryu, ao notar sua matéria, queira aqui fazer algumas ressalvas que ficaram mal explicadas no texto.

    • 1 – Vamos explicar a verdadeira origem do Haedong Kumdo.
      O Haedong Kumdo foi criado em 1980 por Jeong Ho Kim e Na Han Il, ambos praticantes de Shin Gumdo (심검도/心劍道) do mestre budista (Chang Sik Kim) e Gi Cheon Mun (기천문) que é um estilo interno coreano oriundo do Kung fu, sendo o segundo estilo o mais influente nas bases e movimentações do Haedong Kumdo, enquanto que o Shin Gumdo contribuiu com técnicas de cortes com a espada. As formas do Haedong Kumdo são adaptações das formas originais de espada coreana extraídas do livro Muyetobotongji, também usadas nos “Katas” de Kumdo. É uma arte marcial moderna inspirada em estilos coreanos com influência no passado.

    • 2 – Desmentindo o mito do Samurang.
      A história do Samurang foi um golpe de marketing explorado para promover o Haedong Kumdo, o sucesso do estilo teve a divulgação do mestre Na Han Il que é ator e dublador, onde demonstrou suas técnicas em programas de televisão e novelas coreanas nos anos 1980 enquanto Kim Jeong Ho mantinha um Dojang nos arredores de Seoul.
      No início dos anos 1990, o GM Kim Jeong Ho após a ruptura com o GM Na Han Il decide levar o Haedong Kumdo para o ocidente, entretanto teve a ideia de registrar o nome da modalidade de “Haidong Gumdo” e “Samurang” como propriedade intelectual para depois promover o estilo na Europa e na América, na época dos Três Reinos, os únicos registros de soldados de elite foram os guerreiros Hwarang de Shilla treinados por ex militares chineses para lutar e combater invasões do Reino vizinho de Koguryo; o Hwarang lutaram até a unificação dos três Reinos.
      Quanto ao caso dos Samurangs, esta ideia de reescrever a história para promover um estilo moderno no ocidente pegou muito mal entre os praticantes e instrutores de academias na Coreia, incentivando a saída de Mestres que decidiram criar seus próprios estilos, mas mantendo a essência original do Haedong Kumdo. Disto temos os estilos Daehan Haedong Kumdo, o Jinyong Ssangkumryu, o Kumdo Muyeh, Haedong Kum Sool, entre outros… Como praticante do Jinyong Ssangkumryu a história contada é exatamente a qual eu falei, mas, tem pessoas que apelam para o “antigo reino” porque, as pessoas (ocidentais) têm sempre aquele fetiche de aprender técnicas que ultrapassaram gerações, embora o Haedong Kumdo tenha formas antigas de espada coreana como referência e expressão cultural como a dança da espada (Kum mu) que a matéria cita sem conhecer.

      • Fico feliz que tenham parado com essa história de “samurang”. Era triste demais. No entanto, observa-se grandes semelhanças com a cultura da espada japonesa, seja no modo de se vestir ou no próprio nome da arte: “Haedong” não quer dizer “Mar do Leste”?

    • 3 – Sobre a espada coreana, é importante salientar de que não existe um padrão oficial de espada coreana, pois cada artesão forjava suas espadas de acordo com a influência que sofria, há espadas coreanas que se parecem com a Jian, há outras que parecem a Miao Dao (Katana chinesa numa comparação mais proxima) e há a que se parece com a katana Japonesa, sem contar em híbridos de espadas semelhantes a Katana com o cabo mais curto para apenas duas mãos e ornamentos semelhantes as da Jian chinesa, “katanas” com a lamina toda reta, espadas curvadas com a ponta invertida, tudo isso dependia do fabricante e da influência estética da espada

    • 4 – Sobre esses “vídeos” criticando coreanos, o autor é um fake chamado Enushisama, é um Weaboo/Troll metido a ninja que sempre aparece em sites, fóruns e blogs para criticar e atacar o Haedong Kumdo, inclusive o Wikipedia em português sobre o Haedong Kumdo sofreu vários ataques deste troll sempre querendo impor suas críticas que beiram a infantilidade.

      Agradecendo ao autor pelo texto embora desatualizado salvo as poucas informações que disponíveis na internet na época e também relatar que um certo “********” que “não tem” motivos para colocar add sense nas referencias de busca sobre o Haedog Kumdo, mas está sempre alí tirando vantagem como sempre.
      Hoje em dia o Haedong está ativo sempre mantendo respeito aos kendo-kas aguardando nosso futuro evento onde possamos juntos praticar técnicas de tameshigiri lado a lado sempre no espírito de amizade e confraternização onde o amor pela espada está entre nós. Haedong!

      • Sim, concordo que esses vídeos são apelativos, mas considero importante como sinal da rivalidade que beira ao fanatismo de ambos os lados.

        Infelizmente existem instituições de má índole e propósitos explicitamente financeiros atraindo leigos que gastam rios de dinheiro em fantasia. É uma pena. Mas não sabia que vocês também sofriam com isso.

        Gosto muito da postura do Haedong em se assumir uma arte nova e com influências, deixando de lado a conexão direta com o Kendo-Kenjutsu. O Taekwondo é um exemplo de que reconhecer bases e raízes não tornam sua arte inválida. Pelo contrário, novas abordagens são interessantes.

        Devo complementar que, em postura estritamente PESSOAL, não dou crédito a artes que usam armas letais e que foram criadas nos dias atuais, longe das épocas medievais e guerras onde seus conhecimentos eram devidamente aplicados. Até mesmo com o Seitei Iaido da ZNKR eu fico com o pé meio atrás mas existem outros motivos que o tornam aceitável. Espero que entenda meu posicionamento e agradeço sua visita! :)

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