A Espada e o Esporte

Por vezes quando deparamos com discussões nas redes sociais sobre a “marcialidade” das artes da espada, observa-se um constante clima de rivalidade entre os defensores do suposto combate tido real, e dos que admitem que a simulação seja o caminho mais adequado para aplicação da técnica.

Embora o Espirito Marcial não tenha ambição de se proclamar como verdade absoluta nem a palavra definitiva neste âmbito, algumas considerações podem ser feitas a título de reflexão, principalmente para aqueles que estão ingressando neste universo.

O principal ponto a ser criticado aqui é o ego das pessoas. É geralmente transparente o fato de um defensor do “marcial” e crítico do “esporte” está querendo se achar superior, quando alega treinar uma modalidade que supostamente “não é esportiva”. Sua argumentação falha e tendenciosa apenas tenta diminuir o outro lado, sem levar em consideração dezenas de fatores coerentes. Essa constante batalha adolescente do “meu é melhor que o seu” revela imaturidades psicológicas que deveriam ser trabalhadas antes de se pronunciar publicamente na rede.

As artes da espada, sejam japonesas, chinesas, coreanas ou europeias devem ser vistas sob uma verdade difícil de esconder, e por alguns, aceitar: seu treino é apenas lúdico. Não são treinadas no sentido de ser “mais real” ou tornar seu praticante um guerreiro. Os que perseguem tal imagem devem ponderar se estão faltando com maturidade ou exagerando romanticamente em cima do seu treinamento. Daí, o fator tradicionalidade, como herança cultural REAL e histórica faz toda a diferença. Treinar artes clássicas e verdadeiras tem um sentido de imersão. Mas treinar invenções modernas de supostos instrutores de espada seria comparável à brincadeira de criança.

Sem dúvida, os componentes condensados no treinamento, estratégias e movimentações tem origem nos conflitos e guerras. É possível sim praticar com algum grau de realismo ataques. No entanto, também é preciso pensar em proteger a integridade física. Modalidades de contato desarmado podem encerrar um duelo com nocaute, evidenciando o vencedor. Nas armadas, isso seria altamente desaconselhável por motivos óbvios. Sagrar aquele que prevalece é então função de uma arbitragem bastante qualificada, que analisou as variáveis e declarou o vencedor. Exatamente como nos esportes de modo geral.

Mesmo quando se critica a “esportização” da arte marcial, argumenta-se que ocorreria em momentos que o praticante se utiliza de técnicas questionáveis do ponto de vista da lógica da arte, com o objetivo de marcar pontos ou outra vantagem qualquer, fraudando certos procedimentos obrigatórios neste sentido. Oras, isso não é correto nem aceito em esporte algum, ferindo de grosseiramente a conduta do fair play. Se tal modalidade é “realmente marcial”, não poderia permitir o uso de regras, pois na guerra não há ataques desleais.

Postura inadequada de defesa.

Mas isto é discussão para outro momento. E mesmo as artes autoproclamadas “autenticamente marciais” possuem regras de conduta em seus combates simulados.

Embora o termo “marcialidade” penetre profundamente quando se ingressa, o tempo permite observações menos forçadas e a absorção da tradição coloca ênfase na imersão cultural, esta praticada de modo a gerar grande satisfação. Em tese, não existe qualquer outro motivo para se treinar artes marciais arcaicas. Por isso, sua evolução natural aderiu à busca do aperfeiçoamento pessoal: desenvolver paixão e critério no treinamento exportaria este sentimento para outras atividades a vida do praticante.

Como conclusão, não creio ser possível existir “arte marcial” sem o critério esportivo, e não existe “esporte de combate” sem ter profundas raízes nas artes marciais. Qualquer ponto que não seja algo intermediário entre tais verdades soaria apenas vaidade de quem se pronuncia.

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Postado em 16 de Julho de 2017.

2 comentários sobre “A Espada e o Esporte

  1. Não vejo arte marcial como esporte, mas não tenho interesse algum em ferir meu oponente, é imaturidade ou psicopatia quem sente na alma o desejo de humilhar ou mesmo ferir seu “companheiro” de treino.💯✡🎌

    • Olá Sérgio,

      Um comentário que retrata a verdadeira atitude da arte marcial, longe dos estereótipos dos “guerreiros urbanos” que se dizem “preparados para o combate real”. Maturidade envolve saber que treino é treino, competição é competição e defesa pessoal é defesa pessoal.

      Obrigado pela visita! :)

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