A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen

 

…..Eugen Herrigel. Ed. Pensamento. Original de 1948.

…..ISBN 978-85-315-0018-3

…..Título original: Zen in der Kunst des Bogenschiessens.

…..Valor sugerido: R$ 12,90

Capa.

…..Introdução: em uma época em que o mundo estava descobrindo o Japão, e este se afirmando como potência militar, muitos filósofos e sociólogos ocidentais estavam curiosos sobre os métodos educacionais e valores sociais deste povo tão disciplinado. Juntamente com Bushido: Soul of Japan de Inazo Nitobe, este livro abriu um pouco as portas para o reconhecimento da importância do cultivo do pensamento marcial e heranças diversas dos tempos do samurai naquela sociedade.

…..O autor: Eugen Herrigel foi um professor universitário alemão que foi contratado pela Universidade de Tohoku e lá trabalhou por alguns anos, interessado no misticismo oriental, em especial as filosofias zen-budistas. Há no livro um pequeno resumo biográfico, incluindo algumas de suas obras em alemão.

…..Conteúdo: curiosamente, este livro não fala sobre o Kendo mas tem em seu foco o Kyudo – a arte do arco e flecha japoneses. Já no século XX e longe de suas reais aplicações como treinamento para guerra, a enigmática arte do arqueiro despertou grande interesse no autor, que só conseguiu ser admitido como aluno com uma indicação pessoal. Retrata sua jornada de aprendizado junto ao mestre, Kenzo Awa e da importância do Zen como forma de pensamento (e de “não-pensamento”) interiorizado nos rituais e na prática do tiro com arco. O mais interessante de ser lido é a forma pouco ortodoxa de instrução que o mestre impõe aos treinamentos, onde o discípulo se vê sempre obrigado a refletir e buscar a resposta de forma interiorizada, nunca simplesmente dizendo o que é. Desta forma, evita moldar o pensamento do aluno da mesma forma que o seu, permitindo a ele criar sua própria realidade dentro de sua arte. Desta maneira, Herrigel percebe empiricamente a natureza do Zen e como proceder para que seus tiros sejam sempre certeiros, abandonando todo o restante e encontrando o que chama de Doutrina Magna na arte.

…..Relevância: este é um livro cujo resumo e crítica não fazem jus à sua importância para a compreensão do pensamento marcial japonês. A mentalidade zen-budista e sua filosofia são alicerces indiscutíveis para as artes marciais japonesas e é obrigatório para o praticante mais maduro, cujo interesse transcenda o mero treino técnico e competitivo. Apesar de possuir poucas páginas, não se trata de uma leitura rápida, pois exige bastante reflexão e ponderação a cada parágrafo.

…..Acabamento: este é um livro que constantemente possui reedições, e há anos no mesmo formato. Não possui imagens e usa uma tipografia datada. Ainda assim, sua leitura é agradável.

Treino de Kyudo.

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N.P.P. – Notas Pós Publicação

….. Um colega praticante de Kyudo enviou um texto interessante que critica severamente o autor deste livro e seu Sensei. Acesse o texto neste link e tire suas próprias conclusões.

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…..O que achou da matéria? Sua opinião é importante para o crescimento deste trabalho. Caso tenha dúvidas ou queira conversar sobre o assunto, envie um e-mail para: blog.espiritomarcial@gmail.com

9 comentários sobre “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen

  1. Muito boa a sugestão, li a algum tempo e é uma boa leitura pra quem vê na prática das artes marciais como algo para a vida.
    Parabéns pelo post.

    • Olá Alberto,

      Apesar da atmosfera “mística” relatada e de talvez excessos que costumo chamar de “orientalóides” do autor, creio que, como não entendo nada de Kyudo, ele transmite uma base interessante do relacionamento aluno-professor.

      Se fosse fazer um comparativo com o Kendo, as abordagens do autor seriam de fato pouco aplicáveis, principalmente como investigação diária de prática, onde algo simples e direto fica floreado de alegações “transcendentais” exageradas.

      Obrigado pela visita!

  2. O alemão escritor desse livro NUNCA havia praticado nenhuma arte marcial, e basicamente buscava meios de explicar o estudo do Zen. Por acaso teve contato com um sensei de Kyudo (um tanto quanto controverso na comunidade do Kyudo japonesa da época). Outro problema é que ele não tinha conhecimento de japonês da cultura japonesa.

    Se compararmos com Kendo temos algo semelhante que é a “LENDA DE MUSASHI”. Já ouvi de muitos japoneses mais idosos que Musashi era um pobre desconhecido, e nunca teve importância na sociedade japonesa. Até que um dia vi um documentário japonês que explicava como o governo japonês usou os manuscritos do Musashi para incentivar o moral dos soldados japoneses nas guerras contra China e Rússia no início do século XX. Como Musashi não tinha muita educação e escreveu em japonês muito pobre, qualquer pessoa era capaz de ler, e parecia interessante uma pessoa pobre e fraca que se tornaria invencível. Especialmente em um momento que os samurais bravos estavam sendo substituídos por pobres agricultores e pessoas comuns que nunca havia recebido treinamento adequado. O mesmo ocorreu com o BUSHIDO, que foi escrito por um japonês que vivia nos EUA, e posteriormente traduzido para o japonês. O texto original tentava retratar para os ocidentais que a cultura japonesa seria teria muitas coisas em comum com os conceitos de boa moral dos ocidentais, tentando explicar alguns atos dos japoneses que eram considerados bárbaros.

    http://www.gutenberg.org/files/12096/12096-h/12096-h.htm

  3. Parabéns sou apaixonado pela cultura oriental.1japao.

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